sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Caindo no Mundo


Artigo publicado originalmente no meu Blog  Tem formiga Aqui.
Se fosse questionado por Deus no céu sobre meu legado nesta vida, pediria um notebook com internet e mostraria para ele os vídeos abaixo.
Faz tempo não mimo aqui meus alunos músicos. Como tem muita novidade, vou dar uma atualizada no que rola. Óbvio que sinto orgulho dessa galera brilhando e espalhando talento, beleza e música boa na Web. 
Mas não tenho ilusões. Primeiro: Não trabalho sozinho. Segundo: Não tenho poder sobre ninguém. Quem faz a maior parte do trabalho é o Espírito da Música.É só colocá- los em sua presença e ver a mágica acontecer. Com um dedinho meu. O resto é história.Deleite- se!

Bad Romance - Nathalie C.


Já postei aqui sobre ela . Não vou me demorar sobre seu talento. Ela odeia que eu faça isso. Arranjos orientais para o sucesso de academia de Lady Gaga.

She Will Be Loved - Victoria B.


Timbre cristalino. Ainda estuda comigo. Estagiou recentemente num estúdio profissional, para um projeto escolar. Aproveitou para fazer alguns vídeos sobre temas Covers, como este linkado.

Break your Heart - Markus T.


De uma geração anterior de estudantes, Markus investe em sua carreira paralela em Surf Music. Canta, toca e compõe muito. Também já escrevi sobre ele aqui. LINK

Satisfaction - Nathalie S.(Com o Samba de Rainha).


Geração anterior, Nathalie compõe o ótimo grupo Samba de Rainha. É a loirinha do violão ajudando nos vocais. Já excursionaram pela Europa. Dão Shows ocasionais em São Paulo. Semana tocaram aqui perto, no Bar Brahma.

Teaser da tour 2009 - Oliver e Patrick


da minha primeira geração de alunos (1995). Tentaram Rock, sua primeira paixão. Estão fazendo sucesso como dupla sertaneja, em especial na região do Vale do Paraíba. No Bazar de 2010, me contaram que estão com uma equipe de 15 profissionais trabalhando em seus Show.

You Shook Me - Luiza M.


Luiza, assim como o Kenzo, nos deixou em 2010. Está fazendo produção cultural e estudando música. Teclado, Violão/Guitarra e Canto. Aparece aqui cantando o Blues You shook me, do Led Zeppelin, no Dinossauros Rock Bar.


Der Vogelfänger bin ich ja - W. A. Mozart – Rael G. com OSJMSP



Envolvido com teatro e música. Dono de uma voz poderosa. Fui vê -lo no teatro Olido em Outubro, cantando Jazz com a Banda da Escola Municipal de Música de São Paulo. Formado no início dos anos 2000.

Melhor Agora - Kenzo M. com Banda Moraless


Guitarrista e Baixista. Estava com a gente até o ano passado. Mudou de escola no meio do ano passado. Com a sua nova Banda Moraless, foi um dos 6 finalistas (entre centenas) do concurso Pepsi Music.

No mesmo lugar de sempre - Caio T.


Baixista, formado já há algum tempo. Acompanha neste vídeo o ótimo compositor Stenio Moura.

Tico tico no Fubá - Leo R.


Ótimo solista. Aparece aqui solando Tico Tico no Fubá ao cavaco com seu grupo de choro na FAO – USP.

Shoot you in the Back - Paolo P (Com Motorfuckers).

Músico, compositor e Blogueiro, na banda o Paolo deixa fluir sua veia roqueira.



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Green Onions - Booker T.



É uma delícia tocar esse tema no órgão. Mão esquerda com o Riff swingado do baixo, e a direita no tema, que é bem descolado. Levada de jazz - blues, metrônomo em 110, mais ou menos. De volta ao palco o Andre GB, nosso baixista inicial volta para fechar o show, que há esta altura já está se encaminhando para a parte final. Foram 15 músicas. Essa é a décima. A mão já está mais solta depois de 10 músicas, e você se arrisca mais. Este tema também é um 12 bar blues menor, agora em Fá. Nossa banda deveria se chamar 12 bar blues minor Band. De novo no improviso eu e o Murashima. O tema está no teclado, mas rola uma conversa entre guitarra e teclado. Meu solo durou dois chorus, sobre a escala de Fá menor blues. Arrisquei algumas frases usando o recurso do bend. O último chorus do tema final ficou meio feio. Não nos entendemos, eu e a banda. Para mim, depois do tema, era Fá menor até o final. Para a banda, era um chorus comum. Mas isto é música ao vivo. É assim mesmo. Quem não quer se molhar que não saia na chuva. Valeu pela diversão.

Oye como Vá - T. Puente



Outro tema sensual na guitarra do Carlos Santana, tocado pelo Murashima. Nesta o Roberto é quem está no Baixo. O timbre de teclado usado aqui é do órgão. Ouvindo agora o meu improviso, acho que soou meio pretensioso. O uso do bend, frases cortadas e meio desconexas, saltos intervalares, passagens que lembram o solo de Light my Fire. A tentativa de criar um clima diferente resvalou no estranho. São riscos que se corre quando se improvisa mesmo. Frases descendentes e ascendentes com a escala de tons inteiros. E o solo foi ficando ainda mais estranho! O Alex, baterista, só me olhava e ria. Depois improvisou o Roberto. Impôs seu próprio clima. A dinâmica caiu ao mínimo. A música foi renascendo. A guitarra puxando de volta para o tema, aos poucos, até explodir num fortíssimo.  O mais engraçado: Nada disso foi combinado. O contraste, e depois o crescendo que deixou a interpretação mais interessante rolou na espontaneidade total. Diversão pura. Bola no ângulo. Belo gol da banda.

Chitlins Con carne - K. Burrel



Gosto do timbre leve do piano elétrico deste teclado Casio. Outro 12 bar blues menor, agora em Dó, com uma levada sensual. O tema na guitarra lembra a versão do Stevie Ray Vaughan. Muitos espaços vazios para o piano preencher. O clima bem cool. No improviso, o meu piano e o Baixo do Andre GB. Eu primeiro. Escalinha de Dó menor Blues, com algumas inserções de Fá menor Blues e o uso da nona como nota alvo. Sobre o dominante, menor (Gm7), notas de arpejo. Minha frase de entrada ficou parecida com a do solo de Isn't she lovely. Solo de baixo do Andre GB, também de dois chorus, minimalista e intuitivo. O tema na guitarra volta no final, tocado mais duas vezes, com a banda já bem solta, nesta que foi a terceira música do show. Encontrei com a Meire, que filmou o show e ela comentou, sobre essa música: Ficou meio fora de foco, né... Pode até ser, Meire, mas o som ficou ótimo. Valeu pela iniciativa.

Isn't she lovely - S. Wonder



Minha preferida, já que tenho uma introdução de 16 compassos totalmente improvisada. Uma bolinha na trave aqui e alí, que fazem parte, né... O tema está no teclado. A banda bem redondinha, com swing. Delícia de tocar. A cozinha ( baixo e bateria) no tempero certo. Meu improviso foi primeiro, com dois chorus de duração, começando nos anacruses. Algumas notas de arpejo, mas principalmente escala pentatônica maior em E. Há uma passagem pelo arpejo de dó diminuto, no meio da parte B. Algumas notas cromáticas de passagem. Abusei dos triplets nas escalas ascendentes. Foi o máximo que deu para fazer com o pouco tempo de preparação. O riff no final do chorus é a assinatura desse tema. O solo do Murashima, quatro chorus, muitos riffs de insistência, cromatismo, notas oitavadas e outros truques.

Freddie Freeloader - M. Davis



Esta banda foi formada para este evento específico, uma semana dedicada à Cultura e Artes que aconteceu no dia 08 de outubro de 2010, no colégio Batista, na Vila Mariana. A iniciativa foi do Alexandre Murashima, atendendo a um pedido de nossa amiga e artista plástica, a Veridiana. Além de mim para os teclados, o Mura convidou o Andre GB (Baixo), o Roberto (Baixo), e o Alex (Bateria). Freddie Freeloader (vídeo acima), do Miles Davis foi a primeira música, num total de 15. Pela ordem : Freddie, On Broadway (G. Benson), Chitlins con Carne (K. Burrel), Isn`t she lovely (S. Wonder), Cantaloupe Island (H. Hancock), Chank (J. Scofield), Chameleon (H. Hancock), Oye como Va (T. Puente), The Chicken (J. Pastorius), Green Onion (Booker T.), Breezin (G. Benson), Footprints on the sand (W. Shorter), e Sunny (B. Hebb). Em Freddie Freeloader o tema original dos metais está no teclado. O som captado pela câmera da Meire Marion tem qualidade surpreendente. A peça é um 12 bar blues em Bb com repetição. Na casa um, nos compassos 11 e 12, a tônica Bb7 é substituída pelo bVII7 (Ab7). A cozinha (Baixo e Bateria) está bem sincronizada. Meu improviso foi o primeiro. Dois chorus. O áudio do meu solo acabou ficando baixo. Não posso reclamar. O áudio como um todo está ótimo. Sobre o Bb7 usei a escala de Bb mixolídio e Bb menor (Blues). Para Eb7, Eb mixolídio. O centro da brincadeira foi a nota Db, que gerava uma sensação de indefinição entre as escalas maior e menor, própria do Blues. A graça desse tema é o acorde de Ab7, no turnaroud/casa um. Sem ele, o tema vira um Blues normal. Sobre o Ab7, modo jônico ascendente. Algumas bolas na trave e algumas no gol. No segundo turnaround, notas de arpejo e Bb menor (Blues). Não entrei no tema depois do solo do Murashima, que me chamou com a guitarra, repare. A sonoridade geral da banda nesse tema ficou elegante, na minha opinião.


2 violões de luthier à venda - Ótima oportunidade.



Dois violões de Luthier à venda. 

José Montezano. Limeira.   Violão Clássico de Abeto (tampo) e lâmina de jacarandá (fundo e lateral). Com goma laca. Comprimento: 1.05m; Atura:10,8cm; Largura na parte larga: 39,6; Na parte Mais magra 29,30cm; braço:55cm. R$1.200,00 com Bag Glitter. Posso parcelar. 


Ramon Coelho – São João Del Rei. Tampo de pinho alemão, com raio midular ( O detalhe ao lado do tampo, que dá projeção, mais sonoridade). Cavalete,escala, lateral e fundo de Jacarandá da Bahia. Modelo Torres, com sete barras (3º período do Torres). O normal tem cinco barras. Verniz PU. Medidas: 650 mm. Na parte mais larga- 36,2cm; Menos larga-28 cm; Comprimento da caixa- 49 cm; Comprimento do braço – 51,5; Altura na parte mais larga – 9,5 cm; No cavalete – 10,5cm. Preço R$ 1.500,00 com estojo. Posso parcelar.

Contato: bcpandre@gmail.com

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dissecação



Um ótimo aluno da oitava série, muito interessado em música questionou - me esta semana sobre o método de composição do estudo apresentado no vídeo acima. O estudo foi feito para dele eu extrair a introdução da ótima canção do meu amigo Alexandre Murashima
Pret a Pate no Ateliê 

Vale uma visita no link do Murashima. Escute a peça citada para absorver o seu clima harmônico e melódico, que será utilizado como base para compor este aqui. Descreverei o método de construção da peça, o que usei e como usei.  A harmonia e escalas usadas, e outros truques melódicos. Considero esta uma tentativa meia boca de misturar estilos diferentes na mesma peça. 
No caso, Jazz com  Sertanejo (!?)
Lembram do conceito de música pós - moderna que já tratei neste Blog?

 

A primeira gambiarra foi a escolha da afinação. Como a peça do meu amigo é em Dm (ré menor), abaixei a afinação em um tom. Assim ao tocar um desenho de Em (mi menor) estamos ouvindo na verdade um Dm. Porquê? Para utilizar mais recursos de baixo com a quinta e com a sexta cordas.  
Sigamos.
Os 16 primeiros compassos foram baseados na harmonia original da canção do meu amigo, conforme segue: Dm A7 Dm D7 Gm % A7 % Dm com repetição e casa dois no final. 
Comecei usando um Walking Bass cromático de uma oitava e melodia em mínimas. O acorde de C# diminuto substitui a dominante (D7) com um clichê do acorde diminuto tocado ascendente e depois descendente. Segue outro clichê sobre Gm (sol menor) com a tônica caminhando cromática na direção descendente até a sétima menor. Uma frase melódica faz a harmonia voltar ao dominante (A7). Utilizo muito a escala alterada para as frases ascendentes. Veja o momento em que ela circula a dominante ( A7 b5 e A# dim) e como conduz de volta a Dm7 (9) com uma frase ascendente que repousa na nona. Segue rápido fraseado ascendente sobre arpejo do acorde de F 7M (#5) seguida por escala dominante diminuta, para terminar em Dm 7M em arpejo descendente, com o baixo em D na sexta corda solta (Viu como valeu a pena mexer na afinação?). 
Um Turn Around de Blues em Dm fecha o trecho em D7. Um arpejo diminuto descendente com notas duplas conduz a peça para a segunda parte. No vídeo acima eu erro a digitação dessa parte e também na frase seguinte, que termina em Am (lá menor). Assista minha primeira gravação onde a frase é tocada sem erros, embora o som esteja mais distante.


Na parte B a harmonia se solta mais, citando a parte B da canção do meu amigo, cuja tonalidade é Eb (mi bemol). Passamos pelos acordes Gm7 , Eb 7M , Ab 7M(b5) e Ab dim, sempre intercalados com fraseados sobre escala alterada e diatônica ( intercalada em duas oitavas, alá Steve Howe). Este trecho foi o que menos estudei e está muito mal tocado nos dois vídeos. O próximo trecho apresenta entradas com arpejos agressivos de trítonos duplos e sequências melódicas em terças paralelas descendentes. Primeiro em terças paralelas descendentes e depois com outro mini Walking Bass cromático ascendente para melodia cromática descendente na voz de cima. É o trecho mais estranho da peça. A harmonia vai aos poucos se direcionando para o modo de C mixolidio. A frase anterior à modulação apresenta clichê melódico Blues sobre o acorde de G7. A referência ao Blues foi sugerida pelo meu amigo, que pediu uma peça que lembrasse Joe Pass. Não acho que ela lembre nem de longe Joe Pass. Está muito aquém do mestre, que sempre cadenciava a três vozes. Estou cadenciando aqui sempre a duas vozes, no máximo dobradas por uma terça. O que acontece depois é um pouco antropofágico. Um Riff  com pergunta e resposta meio moda de viola sertaneja em sextas, sobre o C mixolidio. Estamos voando sem escalas de New Orleans para Piracicaba
Terminado o trecho alá Almir Sater, outro Turnaround de Blues reconduz a peça à tonalidade de Dm (ré menor). A frase seguinte usa um arpejo ascendente de Dm (ré menor) seguido pelo arpejo ascendente de C# Diminuto até novamente a tônica D (Com a harmonia do início: Dm – A7 – Dm). A peça agora está terminando. Segue mais um fraseado sobre Dm – A7 – Dm desta vez com sonoridade abrasileirada. Terminamos com uma cadência em Bb7M – A7 (b13), que prepararia a entrada da melodia principal do meu amigo, sobre Dm. Como estou um tom abaixo, posso usar os sons harmônicos na casa 12 para tocar o Bb7M, com o baixo na casa 8 da sexta corda. Grosso modo, é isso. 
Não há formulas prontas para compor. Por isso é tão gostoso e surpreendente. De onde vem a idéia? Ora, citando mestre Gil: De onde vem o Baião? Vem debaixo do barro do chão... Na verdade, não tenho a menor ideia. Ter algum conhecimento musical ajuda expandindo seus recursos. Caro aluno aspirante. Não desanime! Siga estudando e comece a compor qualquer coisa. Jogue no lixo o perfeccionismo e a auto - crítica. Não combinam com a criatividade. Na verdade, essas coisas atrapalham porque reprimem ideias que poderiam ser boas mas são massacradas logo de saída, antes que tenham uma chance de mostrar seu potencial. Toda ideia no início é um pouco tola. Com trabalho é que ficam boas. Apenas comece. Uma vez aberta a porteira, nunca mais ela se fecha.
Abraços.
 Um artigo sobre esta peça no link abaixo


terça-feira, 6 de abril de 2010

O abeto e a laca


A vida não é só sofrimento. Coisas extraordinárias podem acontecer. Quando menos esperamos. Na próxima curva do rio.
Quero que você avalie o meu último violão. 
Sua voz não escondia o entusiasmo. Meu amigo Jefferson Garrido terminara de construir seu violão número dez. Fez o curso de Lutheria junto com seu pai. Em pouco tempo já tinha vendido vários instrumentos e recebido excelentes feedbacks. Tem um blog para divulgar seu trabalho  
Nossa amizade cresceu em torno da mesma paixão. A Música Erudita para Violão. Já era exímio violonista e se aventurava no campo fascinante da construção de instrumentos musicais. Ao querer me mostrar seu violão pretendia, conforme me dissera, ter um parecer meu sobre seu trabalho como Luthier.  
Quero uma segunda opinião, justificou. 
Os violões foram saindo, as primeiras vendas confirmadas, e a paixão pelo ofício aumentou. “Reservo minha sexta feira e sábado para a construção de violões”, confidenciou. Está claro que esse é seu caminho. Ele, sendo ótimo violonista, já sacou que seu produto é bom.
Quando posso passar aí? 
 
Marcamos o encontro no final de março, uma segunda à noite. Nossos encontros tem sido raros. Houve um tempo em que nos víamos diariamente. Faculdade de Música, mais de dez anos atrás. Trabalhamos repertório de dueto nas aulas de música de câmara. Em 2007, retomamos a idéia. Chegamos a ensaiar oito músicas. Veio 2008 e ficamos sem horário. Ele chegou a compor uma peça para o dueto. Nunca conseguimos prepará-la.
Na segunda feira, voltava à pé do trabalho. Jefferson passou na mesma rua, me viu e buzinou. Levou – me de carona. Ao entrar no carro, notei o estojo novinho no chão atrás. Ele daria umas aulas antes de voltar à noite. Aproveitei e subi com o violão novo para a minha casa. Talvez tivesse tempo de experimentá - lo antes do encontro.
Tomei banho, dormi, comi. Pelas tantas, abri o estojo. Arrisquei um velho Villa Lobos. Minhas mãos completamente presas pela ausência da prática diária. O violão, novinho, me chamando, me convidando. O cheiro do abeto e da laca. O som virgem. É difícil descrever um som. Veja ao menos as fotos:
O tamanho do corpo ficou perfeito para mim. Achei as cordas um pouco altas na altura da casa doze.  Precisa ser alta nesse ponto para evitar que trasteje, me explicaria na mesma noite. O Modelo é Clássico. Tampo de Abeto. Fundo e laterais de jacarandá da Bahia, cada vez mais raros (e cada vez mais caros). O braço de cedro. Escala e cavalete também de jacarandá da Bahia. Espelho da mão de Imbuia. Os filetes de Imbuia com detalhes em Wengue e Caixeta. As tarrachas são da marca alemã Rubner, O acabamento em laca de nitrocelulose. Foi finalizado em 20 de Março de 2010 (ou seja, alguns dias antes).
Jefferson chegou depois das sete. Sentamos na sala. Peguei o meu Violão Ramón Coelho ( um violão que ele já conhecia, do Luthier mineiro) para compararmos. Toquei um pouco. Depois ele. Mostrou – me a peça El último tremolo do compositor paraguaio Augustin Barrios 
Comparamos com o Ramón Coelho. O Ramón é maior. Acabamento rústico. O timbre agressivo e projetado. Bem aberto. Agudos por toda parte. O som do Garrido é doce. Permite variações, nuances timbristicos. Curta no vídeo as variações de timbre e dinâmica que o Jefferson tirou com ele no estudo número um do Leo Browner

Depois de um tempo, perguntou:
Então, o que achou?
Antes de terminar meu parecer ele cortou:
É seu. Fiz para você.
Como é que é?
Não sabia o que fazer ou o que dizer. Estava diante do melhor presente que qualquer amigo jamais havia me dado. Minha reação seguinte foi negar. 
 
Não posso aceitar. 
 
Ele continuou:
Você não está entendendo. Não tive essa idéia agora. Já fiz pensando em te dar.
Há um tempo estou querendo te dar um presente, em agradecimento aos alunos que você me indicou nesses anos. Como agora sou um Luthier, o que mais poderia te dar?
Jamais desconfiei do plano. A surpresa foi total e desconcertante. Ele não sabe, mas me deu muito mais que um violão. Devolveu – me uma esperança. Uma alegria de viver perdida nas agruras desse último ano, que contei ( em parte) nesse Blog.
Devolveu – me uma leveza só desvelada na surpresa absoluta, maravilhosa, sem aviso prévio.
O Jefferson dedicou a mim e ao violão uma postagem no seu Blog. Veja o link
Agora estou vendendo meus outros dois violões de Luthier. O Ramón Coelho e o José Montezano. Informações, preço e fotos no Link
Postei em 2007 sobre o Zé Montezano, Luthier que fez um dos violões.
Se você se interessar mande – me um email (veja no meu perfil).
Vou ficar só com o Garrido. Com ele, tenho saído de manhã para trabalhar louco para voltar logo para casa e tocar.
Antes de ir embora, lembrei do meu parceiro Caetano. Compomos isto juntos: 
 Como é bom poder tocar um instrumento feito para você por um grande amigo.
Valeu Jeff. Continue assim, sempre me inspirando.
Sucesso e abraço.

Misturando

Vou tentar descrever aqui como tenho estudado improvisação ao violão. Há infinitos métodos e abordagens para esse fascinante e complicado assunto. Tenho retomado esse estudo depois de uma fase meio morna, onde estava dominando os arpejos de tríades e de tétrades. Agora, com esse vocabulário nas mãos, volto a minha atenção a outros detalhes como padrões de digitações diatônicos com saltos intervalares, escalas diminutas, tons inteiros, escala alterada, combinações de arpejos, escalas cromática, escala bebop, o uso das escalas pentatonica e de blues num contexto jazzístico, e o mais difícil: Misturar tudo isso com coerência, num fraseado que faça algum sentido.

1 - Tocar os campos hamonicos maiores e menores em cinco posições diferentes no braço, sem andar mais de uma casa para cima ou para baixo. Além de tocar os acordes do campo harmonico, fazê - lo com uma cadência IIm - V7 para cada acorde. Esse exercício tem se mostrado muito interessante.

2 - Selecionar as tonalidades que funcionam melhor no início do braço e quais desenhos específicos podem ser usados sem o uso de corda solta. Trabalhar com duas posições. Uma em duas oitavas no grave/médio e outra para agudos, até uma quinta acima na tessitura da escala.

3 - Escolher uma altura do braço, digamos a quarta casa. Pensar a melhor digitação para aquela tonalidade. Usar preferencialmente desenhos semelhantes tanto em cima como embaixo no braço. Por exemplo: desenhos com tonica-quita-tonica-terça juntos. Ou: desenhos com tonica-terça-quinta   juntos.

4 - Trabalhar aquela posição cadências I - VIm - IIm - V para tonalidades maiores e Im - bIII - IIm7b5 - V7b9 para tonalidades menores.

5 - Usar sistematicamente escalas tons inteiros e diminuta, seguida da alterada (meio a meio). Combinar com padrões com saltos intervalares e arpejos de tríades.

6 - Criar frases com colcheias. Lentas, para dar tempo para pensar e frasear. O mais importante é criar a frase; Uma frase fluida.

7 - Para cadências menores, priorizar o domínio do uso das escalas lócria - alterada - dórica.

8 - Nas cadências maiores, frasear com combinações dos arpejos V7 e SUBV7. Usar arpejos II sobre V7 e sobre I. Usar bIII sobre V7.

Por hora é isso. Esta semana estou de férias, então estou tendo mais tempo para estudar. Nem sempre é assim. Fazemos o possível, não é!

Abraços.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Comunicado aos leitores

Em função de uma solicitação da escola, estou retirando todas as fotos e imagens em que aparecem alunos e pessoas ligadas à escola. Também estou cortando os nomes de todas as pessoas antes citadas, para preservar suas identidades. Para fazer este trabalho, retirei este Blog do acesso público há cerca de um ano atrás, mas nunca encontrei tempo para realizar a tarefa, ou para decidir qual seria o destino desse Blog.
Com o passar do tempo, começou a não fazer sentido manter o Blog numa esfera privada. Não era esse o meu objetivo. Decidi modificar as postagens para preservar o seu caráter público. Tomarei cuidados daqui por diante para não ferir nenhuma privacidade ou revelar nenhuma identidade que não seja previamente autorizada.

Cordialmente.

Andre Barreto - Administrador deste Blog.

domingo, 20 de setembro de 2009

Grata surpresa

São João Del Rey. Maio de 2009.
Visitamos novamente a região de São João Del Rey, Minas Gerais, com a décima primeira série agora em Maio, na 12ª versão dessa viagem. É uma das grandes conquistas da cadeira de artes e Música da escola. Durante uma semana, os alunos vivenciam a criação/produção de material artístico – musical de modo intenso, e tem a oportunidade de conhecer o processo por dentro. Sendo a 12ª edição da viagem, parece incrível para nós professores tirar algo novo da experiência. Mas a verdade é que cada vez é única, e cada turma deixa memórias únicas por sua passagem na região. Dessa vez me acompanharam a professora Simone K. , além do Alvaro Vaz e do Alexandre Murashima. 
Preparamos um mix de músicas populares, de Rock a Baião, passando por samba e bossa nova. De novidade teve também o aluguel da bela sala de ensaios da Sociedade de Concerto Sinfonico, que ocupa quase um quarteirão em frente a uma das igrejas da cidade. 
O local é muito bonito e nos inspirou a todos.
Este grupo de alunos teve uma participação maravilhosa, fazendo tudo fluir muito bem. Embora alguns acreditassem que não possuíam o talento para se destacar frente às últimas turmas que viajaram para lá, essa classe se saiu muito bem, a ponto de surpreender a eles próprios. “Nunca imaginei que pudéssemos apresentar trabalho com essa qualidade” ouvi de um aluno ao final de uma das apresentações. Que grata surpresa descobrir que você tem talento! Foram duas por sinal: A tradicional apresentação no teatro do conservatório estadual, com a presença do publico de músicos, e uma apresentação extra no abrigo Santo Antonio, um asilo de idosos que nos recebeu com muito carinho. Da primeira apresentação, apresento duas músicas: Hey Hey, de Big Bill Broonzy, A vizinha do lado, do Dorival Caymmi, que faleceu ano passado e da segunda, já no asilo, apresento Times like these do Foo Fighters

O melhor da viagem foi a nossa relação, que se aprofundou e se tornou uma franca amizade. Continuamos nos encontrando semanalmente para as aulas, agora com uma bagagem musical maior, de uma convivência intensa de uma semana.
Abraços.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Swing e bossa

E lá vamos nós de novo. Este ano com uma variedade grande de estilos e coisas novas, fizemos a quarta edição mostra de artes e música no final de novembro. Não foi fácil selecionar o que de melhor aconteceu no ano de 2008 na escola. Muita coisa de qualidade. Só de uma classe, foram três grupos musicais. Três estilos diferentes. Com zelo, os apresentadores foram pacientemente apresentando um grupo após o outro. Alguns destaques, na minha opinião: Agua e vinho, de Egberto Gismonte, com uma interpretação semi-profissional do Guto; E Canteloupe Island, do Herbie Hancock, com ótimo arranjo e condução do professor Alexandre Murashima e com o tema na flauta transversal competente da Paula.
A nona série surpreendeu também com uma apresentação competente e empolgante. Muita energia e sinergia nas canções apresentadas. Destaque para a variada formação instrumental, que contou, além dos violões, com violino elétrico, baixo, guitarra, flauta transversal, vocais fazendo harmonias e contrapontos.
Apesar da longa duração (1h30min), os convidados pareceram não cansar e vibraram até o final.
Dos pequeninos, eu pessoalmente gostei de "pela luz dos olhos teus", com direito a modulação e canto dos alunos, além do competente piano da professora Paula.
Com a ajuda dos alunos CAS organizamos os alimentos não perecíveis que contaram como ingresso, e os doamos à ARCO, associação-creche do Jardim Angela, nosso parceiro há mais de uma década.
Parabéns a todos. Em especial aos alunos, sempre surpreendentes.
Em 2009, mais música vem por aí.
Abraços.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Talentos

No início de setembro fizemos a 4a mostra de talentos na escola. Este é um evento muito querido pelos alunos porque é um espaço livre. Eles podem tocar à vontade e tem liberdade para a escolha do repertório. A única condição é que o material apresentado tenha boa qualidade. O evento dura uma semana inteira, e acontece na primeira pausa da manhã, logo após as duas primeiras aulas. O salão costuma encher de alunos, pais, professores e funcionários, que curiosos vão conferir o resultado do trabalho da molecada.
Entre as novidades desse ano destacam-se uma dupla da sexta série, que tocou de modo competente dois clássicos do rock: "Wish you were here", do Pink Floyd e "Day tripper", dos Beatles. 
Outro destaque foi uma dupla que se apresentou com violão e voz apenas. A cantora , da oitava série, debutou nos palcos da escola com muito estilo.
Outra novidade foi o ótimo grupo formado pelos alunos da nona série. Apresentaram uma canção da banda "Oasis", cujo arranjo foi criado por eles. A formação da banda incluiu violino elétrico, flauta transversal, violões, piano e duas vozes. Muito legal.

Dos Blockbusters, apresentaram-se a Alex Roque Band 
Sempre muito competentes em seus instrumentos. Notei em especial como os solos improvisados estão mais soltos; Como eles estão mais à vontade no palco.
Pegando carona, não poderia deixar de destacar a atual melhor banda de Rock da escola: "Opel". Com uma excelente seleção de repertório e muita atitude no palco, eles fecharam a mostra na sexta feira.
Na área "Rock" apresentou-se também uma banda formada por alunos dessa mesma série, logo na abertura do evento (A idéia era "arrebentar" logo de saída). No repertório, "Crazy train", do Ozzy Osbourne.
Passeando pelo Rock mas com um pé no Jazz e no Blues, uma dupla de guitarristas corajosamente se apresentaram para improvisar por quinze minutos, munidos apenas com guitarras no palco.
Na terça feira, outro grupo apresentou canções de autoria própria, num estilo mais acústico.
Assim foi. Preciso aproveitar o espaço para me desculpar publicamente por não ter incluido na programação uma excelente aluna de música. Na pressa esqueci de colocá-la em algum horário. Ela acabou não participando, infelizmente.
Apesar das falhas, o saldo final foi uma semana especial, com um foco especial em música. Respiramos e vivemos os inúmeros ensaios que precederam cada dia. Estou muito satisfeito com o que foi apresentado. Parabéns a todos e até a mostra de talentos em 2009.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

SEC 08

Jam session - 15/05/08.
Uma semana trabalhando intensamente com música. 20 alunos divididos em dois grupos. Um concerto de aproximadamente 45 minutos de duração e dois dias apenas para ensaiar. A última música aprendida um dia antes do concerto. Essa é a rotina da SEC (Semana de enfoque curricular), no grupo de música. Muito trabalho em pouco tempo. O grupo desse ano era especialmente talentoso.
Repertório instrumental com muito espaço para improvisação livre dos alunos. Na quinta feira, 15 de maio, passamos a manhã trabalhando na manutenção dos instrumentos na "Funrei", escola de lutheria, orientados pelo professor Fernando.
À tarde, encontramo-nos novamente no palco para uma aula de prática de grupo com o Professor da cidade, o Thiago.
Fizemos mais sessões de improvisações e misturamos os grupos para uma Jam final em conjunto.
A peça mais interessante foi mesmo Agua e Vinho aprendida na tarde anterior à apresentação.
Parabéns ao Professor Alexandre Murashima pelo ótimo trabalho realizado com os alunos. Improvisador de qualidade, o Murashima está disseminando essa prática entre os alunos. Melhor para a música. Melhor para todos.
Abraços.